“BOOKS FOR A CHANGE”

Beatriz, minha neta, mora nos Estados Unidos. Há poucos anos ela veio ao Brasil e, em Campinas, na companhia da avó materna foi a uma creche levando presentes de aniversário que o irmãozinho havia ganhado. Acostumada em San Diego a devorar livros, percebeu que a creche não dispunha de livros infantis para elas folhearem e ouvirem histórias lidas ou contadas pelas professoras. Daí surgiu a ideia de se criar uma organização não governamental, www.booksforachange.org, com o fim de doar livros a escolas, creches e clínicas infantis carentes. “Livros para uma transformação” se destina, então, a proporcionar a crianças carentes entretenimento e gosto pela leitura.

Projeto genial, fantástico, uma maneira correta de ajudar crianças nessa idade. Através dessa ONG, que vive de doações, Bia e seus colaboradores adquirem livros e repassam uma média de 40 livros infantis, e uma estante baixinha, própria para os baixinhos, em cada instituição. Vale a pena conhecer esse projeto, descrito em detalhes na web. Quem, representando a instituição, estiver interessado em receber essa doação, que não tem absolutamente caráter eleitoreiro nem se caracteriza como um “pacote de bondade”, consulte o site e faça contato. É um trabalho sério, promocional, e de grande alcance, que merece ser acolhido, abraçado e incentivado.

Estamos orgulhosos de nossa neta, felizes com a sua iniciativa e por levar à prática, por meio de providências concretas, um projeto de amplitude internacional. A prefeitura de Sertãozinho, no estado de S. Paulo, por exemplo, firmou parceria com Beatriz, nome que significa aquela que faz os outros felizes. Junte-se a nós! As boas causas visando ao bem merecem ser apoiadas. Esse é um trabalho extraordinário: o livro é alimento da mente. Com gravuras então… A criançada adora!

MORRO DE AMORES PELO MEU PAÍS?

Conde Afonso Celso, publicou, em 1900, o livro Por que Me Ufano do meu País. Popularizou-se o termo ufanismo, atitude, posição ou sentimento dos que, influenciados pelo potencial das riquezas brasileiras, pelas belezas naturais do País, além de outros motivos, dele se vangloriam desmedidamente. Falar nesse ufanismo, hoje em dia, parece totalmente fora de moda.

Etimologicamente, nação (nacionalidade) designa o lugar de nascimento. País ou pátria, “terra patrum”, é o território dos pais, dos antepassados, terra-mãe: “Patriae nomen dulce est” (Cícero): o nome da pátria é doce. “Dulce et decorum est pro patria mori” (Horácio): é doce e honroso morrer pela pátria. Definir o que seja nação é um desafio. “Definitio periculosa”, difícil, desafiante. Trata-se de um conceito complexo, que envolve um feixe de variáveis.

Mas, sem dúvida, existe um nexo, um liame entre a pessoa humana e sua região. Independentemente de determinismo geográfico, vale indagar: “Não fazem estes céus, águas e serra, uma parte de mim e eu parte deles?” É o que expressa Gonçalves Dias, em Canção do Exílio: “As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”. Também o expressam o Hino Nacional e a Canção do Expedicionário.

Patriotismo não há mais. Prevalece a dicotomia institucionalizada: esquerda e direita, esquerda ou direita, mas, no fundo, o que se pretende às escâncaras é o “pudê”. Adeptos do mote daquele cara da escolinha do professor Raimundo: Eles querem é “pudê”. Urge desprendimento, despojamento, patriotismo enfim. Não faz sentido, além de outras benesses, uma aposentadoria régia. Esse é o grande nó da Reforma da Previdência. Só os privilegiados não percebem.

Tolerância mútua é atitude essencial para a convivência pacífica entre grupos ideologicamente diversos, tanto do ponto de vista político, religioso, filosófico, esportivo, como de gosto. Finalmente, patriotismo é pôr em prática o mandamento constitucional: Todos são iguais perante a Lei.

NO PRINCÍPIO…

Onde tudo começa. Diz Mia Couto “que é verdade: não somos nós que estamos a andar. É a estrada”. “The grand adventure is about to begin…” A vida é feita de degraus alcançados e de graus conquistados. Princípio do Evangelho de São João: No princípio era o Verbo. Sem dúvida, no princípio do Novo Testamento, uma menção ao princípio ao Livro do Gênesis: No princípio criou Deus os céus e a terra. “Fiat lux!” E a luz, de que depende a vida na terra, foi feita.

Para caminhar, dar o primeiro passo é preciso. Para nascer, semear é preciso. Mesmo o que é nativo. Segundo o princípio “ex nihilo nihil fit”, do nada nada se faz, em latim. Nada surge do nada. A frase é atribuída ao filósofo grego Parmênides. Opõe-se à teoria da geração espontânea ou abiogênese [a+bi(o)+gênese}, suposta formação de organismo vivo com base em matéria não viva.

Todo conhecimento novo, no seu processamento, supõe algum requisito, um bê-á-bá de noções preliminares naquele assunto. A própria figura do insight de compreensão aparentemente repentina, em geral intuitiva, pode provir de uma maturação lenta. O êureca de Arquimedes de Siracusa está no aoristo, um tempo histórico, “sui generis”, do grego, que significa procurei até achar definitivamente, fruto de incessante busca de solução para o problema. Heurística, literalmente, é a arte de encontrar.

Consta que, quando o pesquisador Arquimedes entrou numa banheira com água, observou que o nível da água subiu quando ele entrava. O problema, apresentado pelo rei Hierão, consistia em saber o volume de ouro em sua coroa. Conclusão: para medir o volume da coroa bastava mergulhar a coroa e calcular o volume de água deslocado. Dizem que Arquimedes saiu correndo, nu, pelas ruas e gritando: Descobri! Tal a sua euforia.

Quanto à intuição, se eu disser que a mulher é, por natureza, intuitiva, eu estou citando a fonte: sua natureza. Da mesma forma quando se fala em dom, talento, nível de inteligência. Uns mais, outros menos…

Invejoso, Eu?

Inveja. Do latim, invidia. Desagrado pelo talento ou sorte de outrem. Sentimo-nos infelizes com o sucesso alheio e somos tomados pelo desejo ardente de usurpá-lo. A palavra significa também o objeto da inveja: “Era ele a inveja dos outros passistas, pela agilidade e elegância dos gestos.” Diz-se também da admiração: Jorge Amado tem sido alvo de grande admiração. Já o ciúme doentio consiste no amor excessivo do próprio bem. Na inveja ainda não temos ou não somos. No ciúme, temos medo de que tomem de nós.

Emulação, sentimento louvável, em si, quando nos leva a imitar, a igualar e, se possível, superar, mediante competição leal, as qualidades do nosso próximo. Juridicamente, emulação é um lance de rivalidade que leva alguém, abusando de seu direito, recorrer à justiça, com sentimentos sádicos. Despeito é um desgosto mesclado de raiva, provocado por uma decepção ou pelo amor-próprio ferido.

Argumento “ad invidiam”: apelação ao sentimento de inveja. Visa envenenar, fomentar a discórdia, frequentemente por meio de mentiras, intrigas, fofocas e mexericos, “fake news”: nas redes sociais, em família, no trabalho, entre famosos. Pessoa intrigante, implicante, picuinha, cricri, disposta a interpretar mal a fala dos outros. O recurso à inveja só pode ser obra de gente mal resolvida. Devido ao sentimento de inveja, provocam-se, não raro, desavenças, separação de casais, mortes. Variável interveniente a ser considerada no caso dos denunciantes invejosos.

A inveja integra a lista dos sete pecados capitais: soberba, avareza, luxúria, gula, ira, preguiça e, finalmente, inveja. Como a palavra pecado anda desgastada, apesar de tantos pecados por aí afora, alguns preferem dizer vícios capitais, tendências desordenadas das quais, como de uma fonte, surgem hábitos maus, da mesma natureza. O primeiro fratricídio da história foi cometido por inveja. Caim invejava seu irmão Abel. Na fantasia, Cinderela também foi alvo de inveja.

Cupido

Deus do amor, entre os romanos, equivalente a Eros, o mais belo dos deuses gregos, e com as mesmas características. Cupido era filho de Mercúrio, deus mensageiro, e de Vênus, a deusa da beleza e do amor, que nascera da espuma do mar. Muitas vezes representada saindo das ondas, à semelhança de Iemanjá. Corresponde à deusa Afrodite, na mitologia grega. Célebre é a estátua da Vênus de Milo, encontrada na ilha grega de Milo, em 1820. Faltam-lhe os braços. Pode ser vista no Museu do Louvre.

Júpiter, prevendo as confusões que o deus sedutor, Cupido, iria aprontar desde que viera ao mundo, ordenou a Vênus que se desfizesse dele, fazendo-o desaparecer. A deusa, então, ocultou-o num bosque onde seria amamentado por leoas. Quando se sentiu independente, passou a confeccionar setas de cipreste. Treinando sua pontaria, adestrou-se na arte de fazer os homens vítimas de seus dardos certeiros.

Cupido é representado num garotinho alado, como se fosse um anjo, carregando flecha e arco retesado, e uma aljava, cabelos dourados e encaracolados. Quanto à flecha, Ésquilo, o criador da tragédia grega em sua forma definitiva, usa, para significar as flechas, a seguinte metáfora: “serpentes sibilantes de asas brancas”.

Cupido tornou-se a personificação do amor. O nome significa também, por extensão, galanteador. Canta Luís de Camões, em Os Lusíadas: “O frecheiro (Cupido), que contra o céu se atreve, / A recebê-la vem, ledo e contente, / Vêm todos os cupidos servidores, / Beijar a mão à Deusa dos amores.” Também de Camões, em Rimas: “Destarte o coração, que livre andava, / …. / onde menos temia, foi ferido. // Porque o Frecheiro cego me esperava, / …. / em vossos claros olhos escondido”. Cupido é associado ao Dia dos Namorados atingidos pela seta do amor. Dia que comemoramos, até hoje, minha esposa e eu, após décadas de casamento. Pelo futurista Grafitti “Passam o meu e o seu nomes ligados / Por uma seta de Cupido, filho de Afrodite”.

Minha primeira crônica neste Blog

Estou estreando…

Um dia desses, meu filho, que mora no exterior, entrou em contato comigo e me perguntou se eu não queria usar um blog. Respondi que ia pensar, mas quase de imediato respondi que sim. Aí, então, ele mesmo criou este blog, com inúmeras possibilidades  de registros. Vai, aqui, pois, o agradecimento ao Maurício, de quem partiu a ideia e a feitura online.